A análise política de Alexandre Gonçalves - Informe Blumenau
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Chapitres
Répartition du ton (temps de parole politique)
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Questions et réponses
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Nesse início de campanha eleitoral, Alexandre, o que deu para observar?
- 8:13OuverteRéponse directe
Como é que você analisa os debates esvaziados?
- 13:26OuverteRéponse directe
Lula e Flávio estão muito próximos nas pesquisas eleitorais, né? Isso impacta na propaganda eleitoral?
- 16:37OuverteRéponse directe
Qual é a importância da representatividade e como um parlamentar apoia uma candidata de fora?
- 23:05OuverteRéponse directe
O parlamentar Almir Vieira volta mais forte ou desgastado?
- 25:39OuverteRéponse directe
O prefeito Egídio Ferrari na festa de Barretos, qual a repercussão?
Affirmations vérifiables (citations exactes)
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« a gente foi impactado por muitas banderolas nas ruas da cidade e muita gente ficou incomodado com essas banderolas »
- 1:21PrésentateurFait
« no dia que era autorizado, se amanhecia a cidade toda coberta com postes de madeira amarrado com arame, eram várias propagandas no mesmo poste »
- 1:46PrésentateurChiffre
« Eram 90 dias, hoje são 45 dias, ou seja, se avançou muito »
- 2:01PrésentateurFait
« essa é o mal necessário para que, como toda estratégia de comunicação, estratégia de visibilidade, para que os candidatos deem visibilidade para mostrar que são candidatos »
- 3:37PrésentateurFait
« Lula, Flávio, Jorginho, João Rodrigues »
- 5:19InvitéFait
« na eleição municipal passada, sobre a importância da propaganda na programação das emissoras »
- 8:36PrésentateurFait
« os bem mais colocados »
- 9:18PrésentateurChiffre
« esse franco-atirador está com 5% nas pesquisas »
- 11:22PrésentateurFait
« o governador Jorginho Mello tem uma vantagem bem consolidada nas pesquisas que já foram divulgadas »
- 12:00PrésentateurFait
« Carlos Bolsonaro e a Carolina Detone, que são os candidatos mais bem colocados, não compareceram »
- 16:53PrésentateurFait
« o vereador Flávio Linhares está sendo muito coerente com ele mesmo e com a trajetória dele »
- 20:50PrésentateurChiffre
« a Júlia Zanatta trouxe para Blumenau mais de dois milhões »
Temps de parole
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- ?3 %
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Agora
vamos conversar com Alexandre Gonçalves, jornalista e analista político do portal Informe Blumenau. Bom dia Alexandre.
Olá
Jorge, um grande abraço a você, um grande abraço a quem nos acompanha pelas ondas do rádio ou pela internet. Sempre é bom estar aqui com vocês batendo um papo sobre política.
Bom,
começou a campanha eleitoral e na próxima sexta-feira começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV. Nesse início de campanha eleitoral, Alexandre, o que deu para observar?
Primeiro
a gente foi impactado no último domingo, sem ser esse domingo dessa semana, mas no domingo passado, quando foi autorizada a propaganda de rua, a propaganda de internet, a gente foi impactado por muitas banderolas nas ruas da cidade e muita gente ficou incomodado com essas banderolas e eu entendo que a gente tem que ter um pouquinho mais de paciência com esse momento, Jorge, que é um momento que acontece a cada dois anos, não ver como negativo e entender isso como uma festa da democracia.
Eu e você, que já somos mais antigos, a gente está acostumado a uma campanha eleitoral, onde no dia que era autorizado, se amanhecia a cidade toda coberta com postes de madeira amarrado com arame, eram várias propagandas no mesmo poste, outdoors, placa em casa, placa em janela de rua, era uma santinho por toda a cidade, era uma poluição visual muito maior do que acontece hoje. E eram 90 dias, hoje são 45 dias, ou seja, se avançou muito. E essa é o mal necessário para que, como toda estratégia de comunicação, estratégia de visibilidade, para que os candidatos deem visibilidade para mostrar que são candidatos.
E é uma oportunidade única também para o eleitor, que ainda está meio frio com relação ao processo eleitoral, com as campanhas, perceber assim, puxa vida,
o
fulano é candidato novamente. Puxa vida, esse aqui eu já sei, esse aqui eu não quero mais. Pô, mas o cara de novo sendo candidato? E quem é esse que eu não conheço? Ou seja, é uma oportunidade para começar a estimular o eleitor. Então, quando a gente faz esse tipo de crítica, eu acredito que a gente está jogando contra até o próprio processo democrático. Então, as pessoas têm que ter muita paciência, apesar de sim ter uma overdose de banderolas na cidade. É tudo, né, está ali bem colocada no chão, em tese ainda não está atrapalhando. Obviamente, se estiver atrapalhando, aí uma outra questão.
Se tiver alguma questão abusiva, que o eleitor procure o aplicativo Pardal da Justiça Eleitoral e faça a denúncia. Mas é importante que a gente reflita sobre como era antes, como está hoje e entendendo a dimensão do processo. Então, o que a gente percebe nesse momento, em Blumenau, é que a campanha começou a tomar corpo. Os candidatos, cabos eleitorais contratados, começam a distribuir o Santinho. É a fase da visibilidade. Hoje, quando eu estava caminhando aqui, vindo para a rádio, eu conversei com um candidato
e
ele me comentou que ainda não sente as ruas. As pessoas comentam muito da eleição nacional, comentam muito da eleição estadual. Lula, Flávio, Jorginho, João Rodrigues. Mas ainda para deputado, ele ainda me falou e dizendo assim, as pessoas parecem que não sabem que tem campanha para deputado, para deputado federal, deputado estadual. Então, é importante que esse momento a gente fomente isso.
E
a partir da semana que vem, a partir desse final de semana, começa sexta-feira, começa a campanha eleitoral, propriamente dito, com as propagandas no rádio e na televisão. A gente sabe que já se perdeu muito a audiência desses programas, que eram a única referência em termos de comunicação de massa em tempos passados. Hoje, a gente tem a internet, que é um avanço fenomenal. Mas qual é a importância desses programas? A gente entende que os blocos, aqueles blocos de rádio, os blocos na televisão de 10 minutos a cada, eles, a audiência cai lá embaixo. Mas a gente sabe que esses blocos, que acabam ditando o ritmo das campanhas, principalmente quando o tema é reverberar nas redes sociais.
Então, dependendo do que o candidato A ou o candidato B toque no seu programa eleitoral, ele acaba repercutindo, acaba gerando uma reação do adversário, acaba gerando uma repercussão na imprensa, uma repercussão nas redes sociais. Esse é o processo que nós estamos vivendo agora e daqui pra frente a coisa tende a esquentar cada vez mais.
E
a gente já comentou aqui, inclusive, Alexandre,
na
eleição municipal passada, sobre a importância da propaganda na programação das emissoras. Aquela propaganda de 30 segundos, que vem no meio do noticiário, que muitas pessoas gostam de assistir, que vem no meio da novela ou no meio de uma partida de futebol, por exemplo.
Essa tem um impacto muito maior, porque ela está colocada, inserida no meio das outras propagandas. O bloco comercial é uma oportunidade pra tu te levantar, é uma oportunidade pra tu ir fazer uma outra coisa. O bloco comercial, desculpa, o bloco dos programas é uma oportunidade pra você, né? Pra ir no banheiro, pra ir comer alguma coisa, pra desligar a televisão, desligar o rádio. Já a inserção, você sabe que é rápido e ela te impacta muito. Como toda propaganda é uma questão de persuasão, né? Então, depende do talento dos marqueteiros e do apelo do candidato pra pegar. Então, realmente isso é muito forte. E, insisto, isso dita o ritmo das campanhas.
A gente já vai entender uma denúncia mais forte, uma denúncia mais consistente, uma proposta mais impactante. Então, isso tudo começa a dar uma outra dinâmica pro processo eleitoral.
Voltando às bandeiras, né?
E algumas pessoas
se incomodando com o excesso de bandeiras. São alguns locais que têm uma concentração
maior.
E já me
perguntaram assim, por que que tal candidato bota uma bandeira aqui e o resto vem correndo e bota do lado?
Porque
sabe que ali é um local onde passa de grande circulação, tanto de pessoas quanto de carro. Então, por exemplo,
a
gente... E cada um circula, sabe o caminho que faz todo dia? E certamente tem uma história pra contar. Por exemplo, ali naquele cruzamento da FURB, da Antônio da Veiga, da Rua São Paulo, ali bomba muito. Por quê? Bom, tem um mercado, tem uma universidade, tem todo um trânsito que chega pro centro. Então,
é
natural que as pessoas concentrem ali. Então, é isso que vai acontecer. É por isso que a gente também vê isso mais na região central. Mas se vai pros bairros, eu que moro na Fortaleza, ali no entorno do terminal da Fortaleza, já tem muita banderola. Porque é isso, as pessoas... Onde é que tu vai colocar? Você vai colocar em lugares que tem muita circulação. Por exemplo, na minha rua. Eu moro numa rua sem saída. Ninguém vai botar banderola ali. Não faz sentido. Então, é uma estratégia. E claro que
quanto
maior a circulação, maior o número de candidatos tentando colocar a imagem ali à disposição do público.
O
início da campanha eleitoral também marca o início dos debates. A Bande fez debate para a presidência da República, esvaziado, sem os dois principais concorrentes.
Como
é que você analisa isso?
Essa eleição promete debates muito esvaziados, tanto nacional quanto estadual. que é uma pena. Agora, por outro lado, eu preciso entender
a
estratégia das campanhas de candidatos bem mais colocados. Os bem mais colocados. Por exemplo, a gente percebe no debate da Bande, só foram três candidatos. Sendo que dois são franco-atiradores, que a gente sabe que tem pouco a agregar. Então, você pensa, você tem uma trajetória, você tem um currículo, você tem uma biografia,
e
mal ou bem, gostando ou não gostando, você tem questões para apresentar, enquanto do outro lado tem um franco-atirador com um estilingue,
que
acredita que pode falar tudo, inclusive, de forma ofensiva, contundente.
E
sendo que esse franco-atirador está com 5% nas pesquisas, e os dois,
que
vamos citar, o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, estão com 35%, 40% aparecendo nas pesquisas. Por que ele vai se submeter a isso?
Esse
eu acredito que é o grande problema, é o grande desafio das nossas democracias, é tentar, como é que você trabalha com esses franco-atiradores? Porque, por exemplo, falando claramente, no partido Missão, que tem sido o partido que atira para tudo quanto é lado, é fácil,
é
fácil, é fácil porque não precisa compromisso com a verdade, muito dificilmente, quase impossível, vai conseguir alcançar, então ele pode falar qualquer coisa, inclusive situações machistas, xenofóbicas, preconceituosas. Então, para que eu, que sou um político, que eu tenho história, eu não preciso ficar arrotando, independente de gostar ou não gostar, estou aqui falando do Flávio e do Lula, independente de qualquer coisa, eu tenho uma trajetória, eu tenho um currículo para apresentar, enquanto o outro currículo dele é o verbo, é o like, é ganhar engajamento. Então, a gente já percebe a estratégia muito clara, o presidente Lula disse que
ele
só vai a debate, provavelmente, no último, que é o da Globo, e o senador Flávio Bolsonaro, também já percebendo que, na ausência de Lula, ele vai ser o candidato a ser atacado, porque o Lula é o único candidato do campo da esquerda, Flávio Bolsonaro tem outros adversários no campo da direita, e esses outros adversários têm total interesse em mirar o artilharia nele, porque eles querem ir para o segundo turno com o Lula, se bem que a gente percebe hoje, claramente, que muito dificilmente alguém consegue crescer para fazer o enfrentamento com os números que hoje tem Flávio Bolsonaro.
Então, o candidato Flávio Bolsonaro também disse assim, bom, eu também não vou lá para ser atirado às pedras, né? E aqui em Santa Catarina, a situação é muito parecida. O governador Jorginho Mello tem uma vantagem bem consolidada nas pesquisas que já foram divulgadas
e
nas pesquisas internas deve ter também esses mesmos números, inclusive trabalhando para vencer no primeiro turno. Então, ele já sabe que não precisa ir
se
atirar em todo o debate. Ele já selecionou que vai participar de alguns debates, mais, inclusive, que o ex-presidente Lula, mas ele tem sido muito prudente. Vale isso para os candidatos ao Senado também. Então, esse final de semana, a NSC fez um debate com os candidatos ao Senado, que o Carlos Bolsonaro e a Carolina Detone, que são os candidatos mais bem colocados, não compareceram. Só que, nesse caso ali, não havia franco-atiradora. Porque a NSC, por exemplo, selecionou com base em quem tem direito
certo
por conta da legislação do eleitoral. É que quem tem representatividade eleitoral. Ou seja, o PRD, o PT, o PL e o PSD. Então, estava lá, era uma oportunidade para enfrentar o Espiridão Amin, era uma oportunidade para enfrentar, contrapor o Décio Lima, o Afrânio Bopré, o próprio Antídio Luner, são pessoas que têm bagagem e que seria uma importante discussão para Santa Catarina. Mas os senadores do PL decidiram não fazer. Não é a mesma relação da majoritária do governo do Estado, nem do presidente Lula. E promete ser assim,
promete
ser assim ao longo dessa eleição. Então,
a
gente está vendo ainda a repercussão desse debate da Band, muito mais pelas coisas que o Renan falou, o Renan Santos, que é o candidato presidenciável do Missão, mas isso tende a cansar nos próximos debates. E o eleitor que já não acompanhou muito da Band está vendo assim, talvez ele não tenha muita essa paciência também para seguir acompanhando outros debates esvaziados desse nível.
Lula e Flávio estão muito próximos nas pesquisas eleitorais, né?
E
isso impacta na propaganda eleitoral, principalmente no rádio e na TV?
Impacta, certamente vai, vai, certamente impactará. Por exemplo, qual é a estratégia do Lula? A estratégia do Lula é manter essa dianteira, manter essa dianteira e fazer crescer.
É,
numa expectativa remota hoje, bastante remota hoje, de chegar, de tentar liquidar a fatura no primeiro turno. Remota, preciso dizer que hoje essa expectativa, essa chance é remota, mas sabe como é que é a eleição.
E
o Flávio Bolsonaro tem que recuperar o tempo perdido.
Os
dois, assim como aqui em Santa Catarina, as duas principais candidaturas, elas têm tempos parecidos, né? Não iguais, mas parecidos. Então, vai ser uma oportunidade cada um. Qual é a estratégia? O Flávio Bolsonaro vai sair atirando na campanha do Lula? Em que momento a campanha do Lula vai sair, vai lembrar algumas questões ligadas a Flávio Bolsonaro? Em que momento Flávio Bolsonaro vai tentar recuperar, tentar fazer crescer? Então, estratégia de marketing se trabalha com pesquisas, ainda mais no nível dessas campanhas nacionais, com pesquisas diárias de grupos de acompanhamento.
Então, já vai ser medida, à medida que os programas vão sendo colocados no ar, as repercussões são analisadas por esses grupos seletivos, e os estrategistas vão tomando decisões a partir dessas avaliações, desses entrevistados seletivos, que as campanhas vão fazer. Então, se depende muito. Lembrando, lembrando, lembrando, que o eleitor, tradicionalmente, tem um incômodo, né? Quando se tem só denúncia, só denúncia, só denúncia. O eleitor quer entender também um pouquinho mais sobre as propostas dos candidatos. Então,
vai
ser uma disputa onde, tanto Santa Catarina quanto aqui, é um plebiscito. Eu tenho falado muito, é um plebiscito. Tem um presidente eleito, candidato à reeleição, tem um governador eleito, candidato à reeleição, e tem dois adversários, porque tem mais, mas tem dois adversários consistentes que tentam fazer o contraponto. E aí, é
um
momento do eleitor também tirar claro, assim, eu estou satisfeito?
Bom,
se eu não estou satisfeito, os adversários
podem
ser melhor? Então, é essa discussão que tem. Então, a gente tem que sempre entender. A primeira coisa, se eu estou satisfeito, segue o baile. Se eu não estou satisfeito, os candidatos, eles atendem as minhas expectativas, ou pode piorar? É essa avaliação que eles estão fazendo nesse momento. Então, eu acredito que fica mais fácil para o eleitor escolher, no caso das candidaturas majoritárias.
Alexandre, vamos falar um pouquinho sobre representatividade, porque o vereador Flavinho, ele apoia a candidatura de Júlia Zanatta, e isso acabou gerando um certo incômodo. Qual é a importância da representatividade? E como um parlamentar, dentro da Câmara,
nós
temos cinco candidatos, né? Como
um
parlamentar apoiando uma candidata de fora? Como é que tu analisa tudo isso?
Eu
entendo uma coisa, essa é muito clara. Eu acredito que o vereador Flávio Linhares
está
sendo muito coerente com ele mesmo e com a trajetória dele.
É
importante dizer isso. O Flávio Linhares, ele só surgiu para a política dessa forma que garantiu a vaga de vereador por conta da ligação com a Júlia Zanatta.
A
Júlia Zanatta representa, representa para o Flávio Linhares o que ele pensa de política, que é uma política mais, um bolsonarismo mais raiz, de extrema direita, mais radical.
Então, ele
está sendo coerente. Eu não estou fazendo juízo de valor se ele está certo ou errado. E lembrando que, numa eleição estadual, você vota em quem quiser.
Se
quiser votar no candidato do extremo oeste, do extremo norte, do litoral, você vota em quem quiser. Você tem todo o direito. Então, ele está sendo coerente. Mas, sim, gerou um mal-estar porque ele faz parte da base governista, ele é do PL,
ele
já foi líder do governo,
e
o PL, mal ou bem, tem dois candidatos, em especial um,
que
é o candidato que vem sendo apoiado pela administração Egídio Ferrari, que é o João Paulo Kleinman para deputado federal. Ou seja, todos os... É natural. Eu sei que as pessoas torcem o nariz, mas toda eleição, qualquer administração chama o seu grupo e diz assim, ó, nós temos que trabalhar para os nossos candidatos. E o João Paulo é o candidato da administração. Então, claro, o voto é secreto, cada um sabe. Mas eles pedem esse esforço. Isso é natural. É natural que isso aconteça. O que não é natural é quando você impõe sanções ou impõe... quer impor na marra, ameaçar, intimidar. Então, é óbvio que todos esses cargos comissionados, todas as pessoas ligadas à base
e
os vereadores têm cargos comissionados indicados na administração municipal. Se eu não me engano, o Flávio tem três. Então, o que a prefeitura... É normal que a prefeitura diga, ó, vamos trabalhar para os nossos candidatos. Só que o Flávio já bateu o pé e disse assim, não,
eu
vou trabalhar para a Júlia. E isso, sim, gerou um incômodo. É uma situação desagradável. Agora,
por
outro lado, por que é importante apoiar candidatos da região? Eu insisto, eleitor escolhe quem quer. Mas por que é importante, até um dado que eu vou trazer, Jorge, recentemente no informe, até estou antecipando aqui para os teus ouvintes, que eu ainda não publiquei, eu consegui um material sobre quanto de emenda os parlamentares trouxeram para Blumenau ao longo dessa legislatura. E aí, eu estou falando, nesse caso, somente de emenda individual e emendas de bancada, sem falar no outro tipo de aporte, que daí eu falo mais adiante, que os parlamentares podem trazer.
Por exemplo, para deputado estadual, nós contabilizamos nessa aqui, quatro deputados estaduais, porque tinha o próprio Egídio Ferrari. Então, nós estamos falando Marcos da Rosa, Ivan Ates e o Napoleão Bernardes. Blumenau recebeu, nesses quatro anos, ainda não concluído esse ano, 64 milhões em emendas individuais, sendo que, desses 64, 46 por parte desses quatro deputados, contando os dois anos do Egídio Ferrari. Para deputado federal, Blumenau recebeu, ao longo desses quatro anos, 49 milhões de reais em emendas dos deputados federais e três, e 36 milhões dos três deputados daqui, contando Ana Paula Lima, Ismael dos Santos e Gilson Martins.
É
muito dinheiro, é muito dinheiro, né, Jorge? Mais
de cem milhões,
né? Então, a importância desses recursos, por exemplo, a Júlia Zanatta trouxe para Blumenau
mais
de dois milhões, claro, é importante, mas nada perto, o deputado estadual que menos trouxe para Blumenau trouxe cinco milhões e seiscentos. Então, é essa lógica que você tem que fazer. E além do que,
vou
pegar o exemplo do extremo oeste para a gente não se complicar. O parlamentar do extremo oeste pode até botar um dinheiro aqui,
mas
o dia a dia, a preocupação dele, os ouvidos dele ouvem diariamente as reclamações sobre as estradas do extremo oeste, os hospitais do extremo oeste, as escolas do extremo oeste. É ali que ele vive, é ali que ele se reverberam as necessidades. Então, ele até pode ajudar, mas certamente vai priorizar. E aí, entra o outro papel do deputado, que não é a questão só da emenda, é interceder, trabalhar junto aos órgãos estaduais e federais para conseguir conquista.
Se hoje nós temos uma renalvida de excelência, se hoje nós estamos vendo o Hospital Santo Antônio crescer com muito recurso, se hoje tem recurso para o Hospital Santo Isabel, ele é fruto, se hoje tem parquinhos nas escolas, que todo mundo tem colocado, ele é fruto da mobilização dos parlamentares,
a
partir das reivindicações das lideranças da comunidade, postas em práticas. É isso que a gente tem que pensar. Um candidato do extremo oeste, ele pode até trabalhar por Blumenau, mas ele não vai trabalhar com a mesma força que um representante aqui da nossa região. Entendendo que a gente está falando Blumenau, mas é importante que a gente também fale Gaspar, Indaial, Timbó, Pomerode, Rodeio, são cidades que acabam tendo uma ligação e as necessidades muito parecidas. Então, o vereador Flavinho está sendo coerente, mas é importante também que o eleitor reflita sobre a importância do eleitor na hora de escolher apostar num eleitor, num candidato daqui, para que consiga ter mais resultado.
É aquela coisa que eu tenho sempre falado, o eleitor tem que se esforçar para ter uma decisão pragmática nessa eleição, que tenha mais resultado para o seu dia a dia e o dia a dia da comunidade ele está inserido.
Bom,
Alexandre, e o retorno de Almir Vieira à Câmara de Vereadores? O parlamentar volta mais forte ou desgastado?
Não,
obviamente, ele volta pisando em ovos,
porque
os processos continuam. O vereador Almir Vieira voltou, essa vai ser a segunda semana de trabalho, ele fez um discurso forte, deu uma cutucada nos adversários, na imprensa, como ele sempre faz, e deu alguns recados também, como ele sempre faz, mas a verdade é que ele, o processo, a investigação criminal
segue, e
a situação referente à comissão processante no Tribunal de Justiça também aguarda uma posição. Então, são duas situações que é uma espada na cabeça dele, e ele sabe que ele pode ter decisões favoráveis, mas ele também sabe que pode ter decisões contrárias. A defesa dele, às vezes que a gente entrou em contato, está otimista. Agora, alguns adversários também estão otimistas que isso, talvez, se reverta num espaço curto de tempo. Então, assim, ele volta com a característica do Almir, o Almir tem uma característica impositiva, bastante forte, mas ele sabe que pisa em ovos. Então, ainda tem coisas para serem definidas.
Eu tive uma informação que, depois de toda essa notícia do retorno do Almir Vieira para a Câmara, a polícia voltou a chamar as testemunhas, voltou a se mobilizar para ouvir as testemunhas. É impressionante, esse período todo, as testemunhas não tinham sido ouvidas, se ouviu primeiro as pessoas envolvidas, depois não se ouviu as testemunhas. O processo tem que andar e também já ouvi falar também que com relação ao recurso, que tem uma liminar que suspendeu o trabalho da comissão processante e está no aguardo da decisão do mérito. E pelo que eu ouvi, já houve mudança também no nome do desembargador responsável e que o novo desembargador teria uma ideia de acelerar o caso.
Duvido que isso aconteça antes da eleição, se bem que não tem uma coisa em relação com outra. Mas eu duvido que isso se aconteça. Mas então, respondendo a sua pergunta, ele volta,
tem
toda a legitimidade para voltar nesse momento, mas volta pisando em ovos, porque ele ainda tem espadas na cabeça.
E
o prefeito Egídio Ferrari na festa de Barretos?
Pois
é, Jorge, é importante dizer que o prefeito Egídio, o prefeito Mário, o prefeito Napoleão, o prefeito João Paulo, o prefeito Dessa, todos esses prefeitos, de uma forma ou outra, sempre viajaram para divulgar a Oktoberfest. Ano passado, o prefeito Egídio foi divulgar a Oktoberfest na Alemanha de Munique, que também todos os prefeitos foram.
Então, eu acredito que tem essa repercussão grande do prefeito Egídio na festa de peão dos boiadeiros, porque ele encontrou naquele local no mesmo dia, ele foi no mesmo dia, por uma coincidência, certamente é uma coincidência, porque é difícil ter ideia dessa agenda nacional, com o presidenciável do partido dele, Flávio Bolsonaro, e tirou foto e fez questão de registrar.
Então,
ele colocou nas suas redes sociais, e ainda deu um recado,
antes
que a esquerda me critique, eu estou aqui divulgando Oktober e tal, mas
se
ele olhar bem nos comentários, ele vai ver que não é só a esquerda que está criticando ele, há um consenso de críticas em cima dele,
e
aí criticando inclusive a ida dele a Barretos. Isso não é ponto de crítica. Ele está lá divulgando a cidade, era um final de semana, eu não vejo problema nisso. A repercussão se deu,
porque,
além de tudo, ele ainda fez questão de postar a foto do Flávio Bolsonaro nesse momento que nós estamos discutindo. Então, as pessoas também estão muito cansadas dessa política e estão vendo problemas na cidade, problemas administrativos, problemas que estão acontecendo, e ela fica incomodada com aquilo.
Então, é mais uma repercussão do momento que a cidade vive?
Do
momento que a cidade vive e do momento eleitoral, do momento político, nós estamos vivendo um momento político, se tu bota uma foto com o Lula, tu vai tomar pau, se tu bota uma foto com o Flávio, vai tomar pau, como também vai ter gente te elogiando, te aparabenizando e tal.
Mas
como a cidade está vivendo algumas dificuldades de manutenção, de atendimento, uma série de coisas, as pessoas ficam chateadas e dizem, pô, tu está lá passeando com o nosso dinheiro, que não é verdade, ele está divulgando a Oktoberfest.
Com
certeza. Alexandre Gonçalves, obrigado pela participação.
Obrigado, Jorge, foi bem na hora, já estava ficando com a língua seca, com a
garganta seca. É o Grêmio, é o Grêmio,
é
o Grêmio que proporciona isso.
Nem me fala. Jorge,
um
grande abraço a você, um grande abraço a todos que nos acompanharam até agora.
Obrigado, Alexandre Gonçalves, jornalista, analista político do portal Informe Blumenau, conversando com a gente.